Cenas da Guerra retorna com um novo bloco temático: desta vez o foco é a guerra civil. Para os não familiarizados com o termo, a chamada guerra civil pode não ter absolutamente nada de civil: é simplesmente um termo cunhado para designar conflitos entre cidadãos de um mesmo país dentro das suas próprias fronteiras, incluindo militares.
Escolhemos três filmes, cada um sobre uma importante guerra civil da história. Esperamos que vocês apreciem nossas escolhas e que isso ajude alguém a se interessar sobre o tema e refletir sobre as conseqüencias desse que, como as brigas de irmãos (só que em proporções maiores), é um dos tipos de guerra mais encarniçados e sangrentos.
Título original: Patton Direção: Franklin J. Schaffner Elenco: George C. Scott, Karl Maden País: Estados Unidos Ano: 1970 Duração: 170 minutos Língua: Inglês, francês, alemão, russo e árabe Nota IMDb: 8,1 Cores: Colorido
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O General Controvérsia
Embora não tenha tido tanto destaque quanto Eisenhower, Montgomery e Rommel, o general George S. Patton foi realmente uma das figuras mais interessantes da Segunda Guerra Mundial. Carismático, ambicioso e brilhante estrategista, Patton teve atuações importantes para o resultado positivo dos aliados.
Patton – Rebelde ou Herói? (esqueça o subtítulo) conta a trajetória desse personagem justamente durante o conflito mundial, mais especificamente entre a entrada dos americanos na campanha do norte da África e o fim da guerra. O início mostra um Patton dizendo a que veio, numa das cenas mais marcantes do cinema. Trata-se de um discurso proferido pelo ótimo George C. Scott no papel do general que é um apanhado de vários discursos reais. Esse começo, aliás, foi uma ousadia do jovem Francis Ford Coppola, que assinou o roteiro e curiosamente acabou despedido antes do fim das filmagens, mas o filme acabou ganhando o Oscar de melhor roteiro original (e mais 7 Oscars), o que lhe possibilitou concluir a obra prima O Poderoso Chefão.
Embora longo, o filme prende a atenção por alternar muito bem cenas de ação com dramáticas. Além disso, é possível estabelecer ligações históricas com outros filmes. As aparições de Rommel remetem a Raposa do Deserto, a passagem por Malmedy relembra Santos ou Soldados e o polêmico resgate da 101st Airborne em Bastogne faz lembrar um dos últimos capítulos da extraordinária série Band of Brothers.
Como pontos negativos, pode-se dizer que o filme às vezes dá a entender que Patton teve uma influência muito maior no curso da guerra do que realmente teve. O tom às vezes fica elogioso demais, especialmente quando vindo de personagens alemães. Mas a parte negativa acaba por aí. Não é só uma boa cinebiografia: é um excelente filme de guerra.
A produção é fantástica: são inúmeros tanques, aviões e soldados. Há um cuidado com a precisão histórica de uniformes, armas e cenários. Um ponto sempre positivo é cada personagem falar realmente a sua língua, como é o caso aqui. A perspectiva narrativa é a de um general, ou seja, privilegia a visão panorâmica, em vez da câmera individual, que simula a visão do soldado.
É possível enxergar o lado ruim e bom de Patton, um sujeito desbocado, religioso, rude, delicado, competitivo, poético e… isso mesmo: controverso.
Heber Costa
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Toda glória é efêmera
Dentre os grandes generais da Segunda Guerra, alguns se destacaram de forma peculiar. Um deles foi o general do 3º Exército dos Estados Unidos, George Smith Patton Jr. Se a Alemanha tinha toda a perspicácia e intuição de Rommel, os aliados tinham a rebeldia e audácia de Patton, um oficial com extraordinária competência, um imenso senso de liderança e um temperamento incrivelmente rebelde. Dono de um linguajar único e atitudes muitas vezes revoltantes, Patton se considerava um verdadeiro guerreiro — no melhor estilo clássico da Idade Antiga.
O “Old Blood and Guts”, como era conhecido, esteve presentes nos momentos mais importantes da Segunda Guerra: na África, combatendo os Afrika Korps de Rommel — havia uma admiração mútua entre esses dois generais; nas movimentações da invasão da Normandia, no Dia D, sem falar que foi sua a investida mais bem-sucedida da marcha a Berlim — em pouco tempo, ele avançou cerca de 2.000 km, retirando de combate 1,8 milhão de soldados alemães e libertando mais de 12 mil cidades e povoados da Europa. Ao mesmo tempo que era brilhante no front, ele cometia verdadeiras mancadas nos bastidores: desobedeceu ordens dos superiores e xingou de covarde os soldados com fadiga de batalha.
Um dos momentos mais importantes da sua campanha européia foi o apoio à 101ª divisão Airborne da floresta de Ardenas, em que seus comandados percorreram 150 km de distância sem descanso e ainda batalharam contra o exército alemão. Inúmeros foram os seus feitos: a conquista de Palermo na Sicília, no norte da África, na França, entre outros. Fez vários amigos e inimigos dentro e fora do exército aliado — o principal desafeto foi o marechal inglês Bernard Law Montgomery, mais conhecido como “Monty”.
Um dos melhores relatos sobre sua vida militar é o filme Patton – Rebelde ou Herói?, que mostra a trajetória do general desde as campanhas na África até a sua deposição do 3º Exército após a tomada de Berlim. Sem dúvida alguma, uma das melhores cinebiografias dos grandes personagens da Segunda Guerra Mundial. Para aqueles que quiserem saber mais sobre a vida de Patton, existe um livro autobiográfico intitulado A Guerra que Eu Vi (1974). E, para finalizar, uma frase dita a ele: “Toda glória é efêmera…”.
Título original: The Desert Fox: The Story of Rommel Direção: Henry Hathaway Elenco: James Mason, Desmond Young, Leo G. Carroll, Jessica Tandy País: Estados Unidos Ano: 1951 Duração: 88 minutos Língua: Inglês Nota IMDb: 7,1 Cores: Preto e branco
Trailer
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A História de Erwin Rommel
Considerado um dos mais brilhantes estrategistas da história militar da Alemanha (talvez do mundo), Erwin Rommel era também um homem de bom senso, um patriota e um cavalheiro. Pelo menos é isso que mostra o filme Raposa do Deserto, que narra um trecho da vida dessa ilustre figura da história mundial.
O filme começa com uma apresentação do personagem que será o narrador: o Tenente Coronel Desmond Young, que na vida real foi o autor da biografia de Rommel, que foi adaptada como roteiro por Nunnaly Johnson. Logo de início, há uma surpresa desagradável para os desavisados: o filme é em inglês. Isso é um fator que soma pontos negativos, pois sempre surgem aquelas cenas em que alemães e britânicos se encontram e trocam palavras como se não houvesse uma língua e uma cultura entre eles.
Afora esse detalhe, no todo o filme é muito bom. Além de retratar a postura nobre e a capacidade estratégica da “Raposa do Deserto”, concentra-se naquela que talvez tenha sido a mais decisiva campanha de sua vida: o plano para matar Hitler. A história desse plano e suas conseqüências já foram contadas em vários filmes, entre eles um batizado em português de Operação Valquíria, longa alemão (muito bem) produzido para a TV em 2004, cujo nome original é Stauffenberg, numa alusão ao nome do oficial que plantou a bomba na casamata de Hitler. Essa fita com certeza é a base do novo Operação Valquíria, com Tom Cruise.
Mas, voltando para Raposa do Deserto, ele explora o conflito ideológico enfrentado pelo marechal-de-campo alemão: cumprir seu dever de soldado e enfrentar a destruição ou pensar no bem da Alemanha como um todo e envolver-se numa traição. A história é muito bem contada ao estilo dos anos 1950, costurando imagens novas e registros reais da guerra no deserto norte-africano. Como na maioria dos filmes antigos, algumas montagens são constrangedoras e algumas atuações também (veja-se o Hitler). No elenco, há atores do nível de Jessica Tandy (Tomates Verdes Fritos, Cocoon e Conduzindo Miss Daisy) e vale também notar a presença do biógrafo Desmond Young como ele mesmo.
Mas James Mason (1909–1984) rouba a cena e empresta ao papel principal uma dignidade impressionante, fazendo o público praticamente esquecer que está vendo um ator britânico, e não alemão, na tela. Mason, aliás, estrelou clássicos como Lolita, Cyrano de Begerac e Madame Bovary. Em 1953, aceitou repetir o papel de Rommel no ótimo Ratos do Deserto, que conta a história das tropas australianas que demonstraram grande bravura contra os alemães no Cerco de Tobruk, na Líbia, em 1941. Mas essa já é outra história do marechal-de-campo Erwin Johannes Eugen Rommel.
Heber Costa
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Bravo e destemido
No jogo de xadrez das campanhas de guerra, sempre os melhores homens conseguem sobressair: alguns pela sua perspicácia, outros pela sua coragem, muitos pela lealdade e companheirismo, porém poucos conseguem reunir todos esses pré-requisitos e, quando conseguem, marcam o sue nome na história das grandes batalhas. Um deles sem dúvida é Erwin Johannes Eugen Rommel.
Temido pelos seus adversários e venerado pelos seus comandados Rommel tornou a campanha no norte da África — durante a Segunda Guerra Mundial — em um campo de extrema estratégia e de uma disputa até hoje jamais vista. Armado com uma astúcia invejável e um senso de ataque que causava invídia, o marechal-de-campo levou o Afrika Korps a ser conhecido mundialmente. Apesar de toda a sua competência, a campanha no norte da África acabou não sendo vitoriosa. Inúmeros foram os motivos que levaram a tal fato — desde a falta de apoio logístico até a escassez de combatentes —, e isso fez com que Rommel voltasse para a Europa a pedido de Hitler para coordenar as defesas na França, Holanda, Bélgica e Dinamarca contra uma possível invasão aliada.
Um dos melhores relatos sobre a trajetória de Rommel é o filme Raposa do Deserto, titulo que faz alusão ao apelido que o major recebeu durante a campanha da África. O filme traz um relato marcante sobra a sua vida militar, abordando os problemas durante a campanha do Afrika Korps, passando pela conspiração contra o Führer, e chegando à sua morte — vale lembrar que após ser ferido na invasão da Normandia, Rommel foi hospitalizado e ali mesmo recebeu a noticia de que deveria decidir se iria ser julgado e provavelmente condenado junto com seus familiares ou optaria por ingerir veneno para suicidar-se, a opção escolhida foi a segunda.
Sem dúvida alguma naquele momento o mundo perderia uma das mais celebres mentes da guerra moderna, uma pessoa que independentemente do lado que estivesse seria um grande personagem na história da maior das guerras.
Título original: Der Untergang Direção: Oliver Hirschbiegel Elenco: Bruno Ganz, Alexandra Maria Lara, Christian Berkel, Juliane Köhler País: Alemanha, Itália e Áustria Ano: 2005 Duração: 156 minutos Língua: Alemão e russo Nota IMDb: 8,4 Cores: Colorido
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Adeus, Hitler!
Baseado nas notas autobiográficas da secretária Traudl Junge, este filme aborda apenas uma parte da trajetória meteórica de Adolf Hitler no comando da Alemanha nazista. Grande parte dele se passa no bunker particular de Hitler e retrata o cotidiano de todos aqueles que faziam o trabalho burocrático ou prestavam aconselhamento a ele.
Considerado bastante polêmico por mostrar tanto seu lado imprevisível, autoritário e cruel quanto um lado mais humano e até agradável de Hitler, este A Queda é uma produção realmente digna de nota. Todos os detalhes, até onde se sabe, estão perfeitos. A fotografia é corretíssima, e aspectos como maquiagem, figurino, etc., são impecáveis. O fato de ser uma produção alemã agrega muito mais valor ao filme. Sente-se que o tema está sendo tratado com propriedade e que, ao mesmo tempo, expurga um desabafo dos alemães em relação a esse tema quase tabu.
Outro ponto de destaque é a atuação de Bruno Ganz, que interpreta o Führer com maestria tão grande que não há quem não se convença de que ele realmente estudou todos os cacoetes e as minúcias do comportamento e da personalidade de Hitler. Outros personagens importantes também estão muito bem caracterizados, como Himmler, Speer, Goebbels e Göring.
Enfim, dentro da linha de filmes biográficos, este certamente figuraria entre os três primeiros. Além de seu apuro estético, é um filme fantástico.
Heber Costa
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Um Louco no Comando
Os grandes momentos da história estiveram marcados pela presença de homens com o poder de alterar o resultado dos fatos — para melhor ou pior. É natural que nos momentos históricos aconteça uma procura de personagens para dar-lhes “vida”. Vilões e heróis surgiram e irão surgir no tempo histórico, alguns marcam a História de forma terrível e outros são tão extraordinários que é difícil não se sensibilizar com a sua trajetória de atos e vida.
A Queda – As Últimas Horas de Hitler procura expor os momentos finais da vida do líder nazista, explorando o lado mais íntimo do ditador, o filme mostra com eram inconstantes as atitudes do Führer. O homem por trás de toda a tragédia ocorrida na Europa tinha objetivos tão vis que suas decisões chegavam a ser ridículas e muitas vezes eram questionadas pelos seus próprios generais, que não entendiam como as ordens dadas por Hitler poderiam levar à Alemanha a vitória. Com uma rápida ascensão e sem ganhar uma eleição presidencial, Hitler obteve poder absoluto e apoio popular em pouquíssimo tempo. Ele tinha uma política muito centrada em levar a Alemanha a ser o centro do mundo e para isso transformou o país em uma grande indústria bélica, chegando a ter o maior poderio de guerra do mundo.
Um fator importante do filme é a relação de Adolf Hitler como os seus funcionários mais íntimos, eles nutriam uma admiração e lealdade tão extrema que chegava a ser algo doentio, endeusavam o seu líder e eram capazes que qualquer coisa para segui-lo. O tormento da Europa começa a chegar ao fim com a aproximação das tropas russas ao quartel general do ditador em Berlim, acuado ele não aceita a idéia de recuar ou fazer um acordo e ordena que os seus exércitos ataquem as tropas soviéticas, porem já era tarde demais para uma reviravolta, e o destino da Segunda Guerra estava traçado: o final do Führer foi o suicídio juntamente com uma boa parte de seus fiéis escudeiros.
Por se tratar, praticamente, de uma biografia de Traudl Junge, enquanto foi secretaria de Hitler — A Queda – As Últimas Horas de Hitler — é um ótimo apoio didático para ser utilizados em sala de aula e um excelente e esclarecedor filme para os interessados nos personagens de guerra.
Não é nenhuma novidade que as guerras, como outros fatos históricos, envolvem milhares, milhões de pessoas. Mas também não é raro que o destino de povos inteiros caiam nas mãos de um único homem. Considerando a seriedade de casos assim, decidimos abordar três importantes biografias de personagens famosos da história bélica mundial.
Título original: The Fight for Baghdad Direção: Tim Prichard País: EUA Ano: 2005 Duração: 100 minutos Língua: Inglês Nota IMDb: não tem Cores: Colorido Trailer: o vídeo abaixo contém algumas
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A Guerra Sem Fim
Desde a Guerra do Vietnã, os conflitos armados tornaram-se objeto de transmissões ao vivo e fonte de imagens reais a serem transmitidas diretamente ao público. Não é nenhuma novidade que a mídia tem utilizado esse recurso não apenas para divulgar os “fatos”, mas também para exercer seu papel de formadora de opinião. Este documentário produzido pelo Discovery Channel é uma prova dessa nova forma de cobrir as guerras e do efeito que ela pode causar na opinião pública.
Baseado nas próprias imagens da guerra, em recriações feitas por computador e entrevista com militares envolvidos no conflito, Guerra em Bagdá retrata a chamada Operação Iraqi Freedom, ou seja, de libertação do Iraque, em 2003. Por um lado, vale destacar que há bastante ênfase em desmitificar o soldado hollywoodiano que não teme nada. Vários entrevistados falam nisso. São vidas reais que estão em jogo, mas esses soldados só percebem isso quando a primeira bala passa por cima. Também é interessante ver como opera a máquina de guerra americana, seus tanques M1A1, seus A-10, etc. Por outro lado, cabe ao menos uma crítica: embora fale repetidamente na coalizão, há apenas uma menção aos britânicos. No mais, a imagens e entrevistas são exclusivamente dos americanos. Isso, no mínimo, pode gerar certa desconfiança quanto viés que está sendo dado.
É a Guerra do Iraque vista do ponto de vista dos EUA, sem dúvida alguma. Isso é ruim? Não necessariamente. Sabendo identificar e separar os discursos, as “verdades” e ideologias que estão sendo veiculadas, este documentário é um ótimo relato televisivo do que foi a tomada de Bagdá e a derrubada do regime de Sadam Hussein. O filme não questiona em nenhum momento (por falta de interesse ou por concordar?) os motivos do ataque, a saber as acusações contra o ditador iraquiano de apoio a terroristas fanáticos e de produção de armas de destruição em massa, que aliás não foram comprovadas até hoje. Não há como deixar de comparar essa ofensiva com os inúmeros golpes-de-estado militares ocorridos em vários países pelo mundo afora.
Embora ligeiramente tendencioso, o documentário suscita questões importantes quando dá voz aos soldados que ainda estavam lá em 2004 e já questionavam o seu papel de polícia e o impasse na retirada das tropas. Não é nada comparado à Guerra dos Cem Anos ou coisa parecida, mas cabe uma pergunta: por que essa guerra não termina afinal?
Heber Costa
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Território Inóspito
O conhecimento do terreno onde se irá travar as batalhas é um dos fatores que mais interferem no desfecho final da guerra. Normalmente os soldados nativos dos locais onde acontecem os combates levam certa vantagem, porém será que a tecnologia aliada a uma estratégia mais eficiente e um batalhão melhor equipado pode suplantar essa desvantagem?
A utilização dos aspectos naturais de determinado local faz grande diferença no transcorrer dos duelos, podemos notar isso nas grandes investidas fracassadas nos momentos mais importantes da história das guerras, exemplos não nos faltam: o ataque de Napoleão Bonaparte à Rússia, a investida alemã ao leste europeu na Segunda Guerra Mundial, a derrota americana no Vietnã e a retirada do Estados Unidos na primeira invasão ao Iraque. Contudo, muitas vezes a tecnologia e um plano estratégico eficiente falam mais alto do que o pouco conhecimento do campo de batalha.
O documentário Guerra em Bagdá mostra que a tecnologia aliada à estratégia podem fazer a diferença na hora H. Enquanto os americanos lutavam em tanques de última geração e com armas que podiam disparar sem colocar em risco a integridade física dos soldados, os iraquianos faziam uma espécie de guerrilha, com suas milícias e seus homens e carros bombas. Tentado utilizar as dificuldades encontradas pelos invasores, os iraquianos tentaram fazer com que as batalhas acontecessem de forma fracionada e isolada umas das outras, porém tal estratégia foi inútil para parar a investida americana.
Com o fim da Guerra Fria, o Estados Unidos mostrou ao mundo — especialmente na Guerra do Iraque — uma nova forma de guerrear: utilizando a mais alta tecnologia no campo de batalhas e cada vez menos expondo os seus soldados eles conseguem levar “a confusão para o quintal do seu inimigo”. Alguns podem dizer que isso tornou a guerra menos clássica e mais desumana, mas quando é que ela foi humana?
Título original: Hearts and Minds Direção: Peter Davis País: EUA Ano: 2005 Duração: 112 minutos Língua: Inglês, francês e vietnamita Nota IMDb: 8,5 Cores: Colorido Trailer
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Corações e Mentiras
Reunindo um conjunto importante de entrevistados, imagens de arquivo e filmadas in loco, o premiado documentário Corações e Mentes definitivamente é um dos mais viscerais já realizados sobre o envolvimento americano no Vietnã. Em parte, isso se deve ao fato de o filme ter sido produzido em 1974, logo após a saída dos EUA e já no final do conflito, agora combatido exclusivamente pelos vietnamitas.
Entre os entrevistados estão assessores, secretários de Estado, jornalistas, militares, religiosos, veteranos, prisioneiros de guerra, líderes, desertores, políticos e civis tanto americanos quanto vietnamitas, pró e contra a ação militar no Sudeste Asiático. Alguns dão depoimentos pungentes, emocionados e revoltados; outros buscam analisar racionalmente as causas e conseqüências do conflito. Esses dois tipos de entrevistas somados às declarações de presidentes de ambos os países são costurados para formar a base discursiva do documentário, que visa claramente mostrar que a Guerra do Vietnã foi um erro induzido por má inteligência militar e valorização da cultura beligerante. Apesar disso, vale dizer, o filme não tem caráter explicitamente militante pró-comunismo ou contra o capitalismo: acima de tudo, é um filme contra a guerra e a política externa que foi desenvolvida para justificar a ação militar.
Bombardeios, pronunciamentos oficiais, torturas, desfiles cívicos, execuções, volta de prisioneiros de guerra, manifestações pacíficas, combates, enfim algumas das imagens mais importantes da época e da própria guerra — a primeira a ser acompanhada intensamente pela mídia praticamente em tempo real — estão presentes neste filme.
Talvez por ter sido produzido no “calor do momento”, Corações e Mentes não se presta a grandes explicações didáticas, deixando muitas referências abertas, nem enfatiza uma linha narrativa cronológica do conflito. Em outras palavras, aparentemente tem o objetivo de trazer outro ponto de vista a quem já conhece a história oficial da Guerra do Vietnã: o lado obscuro da história.
Heber Costa
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O que aprendemos com isso?
Sempre são feitas reflexões a respeito das medidas tomadas no transcorrer das guerras, foi assim após a primeira grande guerra, na segunda também não foi diferente, na Guerra do Vietnã, do Iraque, etc. Contudo, nem sempre conseguimos enxergar as verdadeiras conseqüências das guerras.
O que acontece nas guerras tem conseqüências avassaladoras na vida das pessoas podendo mudá-las para melhor ou pior. O documentário Corações e Mentes, sobre a Guerra do Vietnã, mostra uma certa dimensão do conflito em que, muitas vezes, os soldados não tem noção da conseqüência dos seus atos. Um dos momentos mais marcantes do documentário é o depoimento de um piloto americano ao dizer que não tinha essa noção e imagina como seria se isso chegasse a acontecer com seus filhos.
Não precisamos nos esforçar muito para imaginar o impacto dos acontecimentos nas populações do Vietnã e dos Estados Unidos. No transcorrer das batalhas, o modo de ver, pensar e reagir foi se modificando, e o que no início era apoio passou a ser contestação — com relação aos norte-americanos —, e de uma resistência pequena a uma feroz guerrilha contra os invasores. Não se pode negar a diferença entre o poderio bélico das duas nações, mas o menosprezo dos comandantes norte-americanos levou a subestimar o poderio humano dos vietcongues.
Historicamente vemos que sempre existe uma mudança no pensamento das pessoas — estando ou não ligadas diretamente à guerra — com relação aos acontecimentos. Algo natural, pois não temos como imaginar a conseqüência de tais acontecimentos na vida das pessoas.
Muitos podem dizer que aprendemos coisas para não repeti-las no futuro, porém a história nos mostra que não é isso exatamente o que acontece.
Título original: Why We Fight Direção: Eugene Jarecki País: EUA Ano: 2005 Duração: 98 minutos Língua: Inglês e árabe Nota IMDb: 8,1 Cores: Colorido Trailer
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Por que Eles Lutam?
Um alerta de Eisenhower, ao deixar a presidência dos EUA em 1961, é a premissa deste documentário de Eugene Jarecki. Em seu último discurso, ele adverte sobre os perigos do desenvolvimento exacerbado de um “complexo militar-industrial” e da política de militarização permanente do Estado.
Partindo desse ponto, o diretor estabelece as conexões nem sempre visíveis entre a política externa, as ações militares, os rumos econômicos e as discussões políticas por trás da guerra. Razões para a Guerra é na verdade um estudo, com mais perguntas do que respostas, sobre a política belicosa dos EUA e os motivos por trás dela.
Esse estudo se dá num nível macro — que compreende as articulações políticas e discursos oficiais de ambos os lados (os que apóiam e os que não apóiam a militarização) — e no nível micro — que é o nível pessoal, daquelas histórias que são diretamente influenciadas pelos rumos que o país toma.
Embora dê voz a ambos os lados, o documentário de Jarecki não é nem um pouco neutro: ele constrói um discurso claro e veemente contra o caminho que os EUA vêm seguindo. Mas isso eleger um bode expiatório. O filme mostra que isso vem sendo praticado há anos, mas que os investimentos militares vêm crescendo exponencialmente e a olhos vistos enquanto que as ameaças tornam-se cada vez mais invisíveis e nebulosas. Como justificar então que 22% (quase 1/4) do orçamento global do país seja direcionado para a defesa?
Essa e outras perguntas, como a do próprio título original (“Por que lutamos?”), são feitas direta ou indiretamente aos entrevistados — que incluem membros do alto escalão do governo, militares da reserva e da ativa, agentes da inteligência, mas também o cidadão comum — e ao próprio espectador. O título original, aliás, é o mesmo da série de filmes produzida pelo legendário Frank Capra no início da Segunda Guerra para convencer a população a abraçar a causa. Na época, essa pergunta parecia ter uma resposta clara; hoje, as razões parecem nebulosas.
Para nós, não-americanos, o que se vê é que os EUA possuem massa crítica dentro das suas próprias fronteiras para avaliar as atitudes dos seus governantes, tentando ao mesmo tempo acreditarem o seu país e confiarem neles.
Heber Costa
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Mocinhos e Bandidos
Sempre que se conta uma estória procuramos estabelecer lados distintos: bem e mal, vítima e vilão, mocinho e bandido, etc. Porém nunca procuramos entender o porquê de os personagens fazerem parte de algum dos dois lados — se é que realmente existem “lados”. Acabamos olhando pelos olhos de outros. Isso pode ser bem observado nos fatos mais marcantes da nossa história contemporânea, tais como as bombas atômicas, a criação do Estado de Israel, a Guerra do Iraque, a invasão do Afeganistão, o 11 de setembro, entre outros. Alguns dizem que foram decisões acertadas; outros defendem a idéia de que foi “um mal necessário”; e há os que acreditam que foram atos horríveis, o que acaba influenciando profundamente a opinião pública.
O documentário Razões Para a Guerra cria uma situação um tanto inusitada, pois elabora, a partir do 11 de setembro, uma cronologia histórica da industria bélica norte americana e sua atuação nos fatos mais marcantes da nossa era. Partindo do pressuposto de defesa da liberdade e da democracia e estabelecendo um combate direto e indireto com o bloco socialista, a “máquina de guerra” americana criou, financiou e até mesmo acabou com várias batalhas. Impregnado por ideais freqüentemente duvidosos e na maior parte do tempo apenas com a intenção se autopromover, esse grupo ditou as normas dentro e fora dos Estados Unidos muitas vezes foram apoiados; outras, severamente criticados.
Apesar de ter uma vertente de contestação, o documentário retrata a opinião da população norte-americana em todos os seus aspectos — positivos e negativos. Um dos melhores momentos do documentário foi a quase premonição do presidente americano Eisenhower sobre o perigo de se criar um verdadeiro Frankenstein. Bem, historicamente é um excelente apoio didático e culturalmente um ótimo esclarecedor de opinião.
Vale lembrar que não podemos procurar mocinhos e bandidos nos fatos históricos, pois os homens são apenas figurantes, e não os personagens principais.
Começamos este ano de 2009 com algumas mudanças no Cenas da Guerra.
Primeiro, extinguimos a seção "Indicação de Livro", por razões muito práticas e sinceras: 1) Não estávamos conseguindo indicar livros relacionados ao assunto; 2) Não queríamos indicar livros que não tivessem a ver com a temática tratada; 3) Não achamos justo indicar livros que não lemos apenas para preencher espaço. Assim, decidimos focar no que realmente está em voga neste blog: os filmes.
Segundo, vamos inaugurar o ano com um bloco de filmes que são semelhantes não exatamente na sua temática, mas no seu gênero. Como vocês já devem ter adivinhado pelo título desta postagem, vamos trabalhar três documentários relacionados à guerra que acreditamos serem relevantes para vocês.
Aguardamos suas sugestões, críticas e (por que não?) elogios.