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15 de jan. de 2009

Corações e Mentes

Título original: Hearts and Minds
Direção: Peter Davis
País: EUA
Ano: 2005
Duração: 112 minutos
Língua: Inglês, francês e vietnamita
Nota IMDb: 8,5
Cores: Colorido
Trailer






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Corações e Mentiras

Reunindo um conjunto importante de entrevistados, imagens de arquivo e filmadas in loco, o premiado documentário Corações e Mentes definitivamente é um dos mais viscerais já realizados sobre o envolvimento americano no Vietnã. Em parte, isso se deve ao fato de o filme ter sido produzido em 1974, logo após a saída dos EUA e já no final do conflito, agora combatido exclusivamente pelos vietnamitas.

Entre os entrevistados estão assessores, secretários de Estado, jornalistas, militares, religiosos, veteranos, prisioneiros de guerra, líderes, desertores, políticos e civis tanto americanos quanto vietnamitas, pró e contra a ação militar no Sudeste Asiático. Alguns dão depoimentos pungentes, emocionados e revoltados; outros buscam analisar racionalmente as causas e conseqüências do conflito. Esses dois tipos de entrevistas somados às declarações de presidentes de ambos os países são costurados para formar a base discursiva do documentário, que visa claramente mostrar que a Guerra do Vietnã foi um erro induzido por má inteligência militar e valorização da cultura beligerante. Apesar disso, vale dizer, o filme não tem caráter explicitamente militante pró-comunismo ou contra o capitalismo: acima de tudo, é um filme contra a guerra e a política externa que foi desenvolvida para justificar a ação militar.

Bombardeios, pronunciamentos oficiais, torturas, desfiles cívicos, execuções, volta de prisioneiros de guerra, manifestações pacíficas, combates, enfim algumas das imagens mais importantes da época e da própria guerra — a primeira a ser acompanhada intensamente pela mídia praticamente em tempo real — estão presentes neste filme.

Talvez por ter sido produzido no “calor do momento”, Corações e Mentes não se presta a grandes explicações didáticas, deixando muitas referências abertas, nem enfatiza uma linha narrativa cronológica do conflito. Em outras palavras, aparentemente tem o objetivo de trazer outro ponto de vista a quem já conhece a história oficial da Guerra do Vietnã: o lado obscuro da história.


Heber Costa




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O que aprendemos com isso?


Sempre são feitas reflexões a respeito das medidas tomadas no transcorrer das guerras, foi assim após a primeira grande guerra, na segunda também não foi diferente, na Guerra do Vietnã, do Iraque, etc. Contudo, nem sempre conseguimos enxergar as verdadeiras conseqüências das guerras.

O que acontece nas guerras tem conseqüências avassaladoras na vida das pessoas podendo mudá-las para melhor ou pior. O documentário Corações e Mentes, sobre a Guerra do Vietnã, mostra uma certa dimensão do conflito em que, muitas vezes, os soldados não tem noção da conseqüência dos seus atos. Um dos momentos mais marcantes do documentário é o depoimento de um piloto americano ao dizer que não tinha essa noção e imagina como seria se isso chegasse a acontecer com seus filhos.

Não precisamos nos esforçar muito para imaginar o impacto dos acontecimentos nas populações do Vietnã e dos Estados Unidos. No transcorrer das batalhas, o modo de ver, pensar e reagir foi se modificando, e o que no início era apoio passou a ser contestação — com relação aos norte-americanos —, e de uma resistência pequena a uma feroz guerrilha contra os invasores. Não se pode negar a diferença entre o poderio bélico das duas nações, mas o menosprezo dos comandantes norte-americanos levou a subestimar o poderio humano dos vietcongues.

Historicamente vemos que sempre existe uma mudança no pensamento das pessoas — estando ou não ligadas diretamente à guerra — com relação aos acontecimentos. Algo natural, pois não temos como imaginar a conseqüência de tais acontecimentos na vida das pessoas.

Muitos podem dizer que aprendemos coisas para não repeti-las no futuro, porém a história nos mostra que não é isso exatamente o que acontece.

Adriano Almeida

5 de nov. de 2008

O Grande Ataque

Título original: The Great Raid
Direção: John Dahl
Elenco: Benjamin Bratt, James Franco, Joseph Fiennes, Connie Nielsen
País: EUA e Austrália
Ano: 2005
Duração: 132 minutos
Língua: Inglês, filipino e japonês
Nota IMDb: 6,8
Cores: Preto-e-branco/colorido
Trailer









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Prisioneiros de Guerra e a Luta pelas Filipinas

A pouco falada campanha nas Filipinas, iniciada logo depois do ataque a Pearl Harbor, é o contexto deste O Grande Ataque. Passado em 1945, o filme retrata uma missão verídica de uma tropa de Rangers no resgate a prisioneiros remanescentes da rendição de cerca de 70 mil filipinos e americanos, ocorrida em Bataan (abril/1942), utilizando com base em dois livros: The Great Raid on Cabanatuan, de William B. Breuer, e Ghost Soldiers, de Hampton Sides. O resgate torna-se uma corrida contra o tempo, já que os japoneses tinham começado a executar prisioneiros por conta do avanço do 6º Exército Americano sobre as Filipinas.

Embora pouco inovador, o longa traz alguns aspectos interessantes. Primeiro, a cooperação filipino-americana nos anos 1940. Isso pode logo ser percebido nos armamentos que carregam: são fuzis, bazucas e metralhadoras americanas (Thompsons e Brownings M1919) misturadas a armas mais antigas (em uma cena, é possível ver uma Vickers, da Primeira Guerra). Vale notar que os filipinos, bem representados pelo Capitão Pajota, não são meros paus-mandados, intervindo com observações ao plano de resgate, especialmente no que toca ao conhecimento do terreno — fator de fundamental importância em qualquer estratégia militar.

Esse, aliás, é o segundo ponto de destaque. No decorrer do filme, é explicitada a estratégia global do resgate, bem como seus ajustes, mas também se pode observar várias vezes as táticas de nível mais elementar, como a de usar fogo de supressão e depois flanquear o inimigo, consagrada na Segunda Guerra. Um terceiro fator interessante são as cenas reais utilizadas no começo e no fim de O Grande Ataque. Remasterizadas, essas imagens contextualizam e retratam os dois principais fatos: a derrota em Bataan e o resgate em
Cabanatuan, envelopando bem esse recorte histórico.

No aspecto técnico, o filme é razoável. Embora haja um romance paralelo, muitas cenas de campo de concentração (nada de novo) e pinceladas da ação da resistência filipina, a trama se sustenta só mesmo pela missão. Em vista desse foco, Os personagens, com raras exceções, não são bem desenvolvidos, o que gera atuações na média, nada que cause embaraço. Há ótimas cenas de ação — realistas e com pirotecnia na dose certa. O longa ganha pontos a mais também pelo uso dos idiomas originais (filipino, japonês e inglês). Apesar de um pouco romantizado, O Grande Ataque é uma boa oportunidade de se conhecer uma operação bem planejada, ver boas cenas de combate e ter uma visão da Segunda Guerra por um outro foco.


Heber Costa



Curiosidade: o Gen. Krueger é interpretado por Dale Dye, fuzileiro veterano do Vietnã, hoje consultor militar e ator de vários filmes de Hollywood, entre eles Band of Brothers, O Resgate do Soldado Ryan, Platoon, Pecados de Guerra e Nascido em 4 de Julho.



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Taticamente Perfeitos


Entre todas as batalhas durante uma guerra as mais incríveis são sem duvida as chamadas operações especiais, não por se tratar de situações específicas dentro dos combates, mas pelo desprendimento de conhecimento tático e empenho dos personagens envolvidos em tais eventos. Historicamente, os desenlaces das operações especiais mudaram o rumo das batalhas, se não das próprias guerras. Não falo apenas pela mais famosa delas — o Dia D —, mas, sim, pelas inúmeras outras que existiram e deram outro encaminhamento para o desfecho da Guerra. O filme O Grande Ataque utiliza a ocupação das Filipinas pelo exercito japonês, a resistência dos civis e o resgate de um grupo de soldados do campo de Cabanatuan de um campo de prisioneiros para relatar os fatos ocorridos no ano de 1945.


Estrategicamente situada na rota que as tropas nipônicas utilizavam para seguir em direção ao oeste da Ásia, essa região era ponto estratégico para o futuro da guerra no Pacífico. Sendo invadidas pelo exercito japonês em 1941, as Filipinas eram ocupadas desde 1937 pelo exército americano, que não conseguiu resistir aos ataques investidos contra as suas principais bases. Apesar da resistência montada pelos ianques e os insurgentes filipinos, os japoneses conseguiram conquistar quase todo o país. Isso se deve ao fato de as ilhas estarem a uma longa distância dos quartéis-generais dos Estados Unidos e à saída do General MacArthur da península, o que levou à desarticulação dos norte-americanos. Durante a retomada das Filipinas, um evento chama a atenção pelo seu impacto nas tropas envolvidas — tanto americanas quanto japonesas — o regaste dos prisioneiros em Cabanatuan. Uma operação taticamente bem montada e executada com maestria foi responsável por uma das mais eficientes operações do combate da história. Não só pelo seu êxito, mas principalmente pelo fato de que nem sempre sairá vencedor da batalha o lado que tiver o maior exército e o melhor equipamento, e sim aquele que estiver estrategicamente melhor montado.


O filme pode ser utilizado como um bom apoio didático para as aulas sobre as ocupações na Ásia Insular durante a Segunda Guerra, não deixando de ser um bom entretenimento para apreciadores ou não dos filmes de guerra.



Adriano Almeida