15 de out de 2008

Santos ou Soldados


Título original: Saints and Soldiers
Direção: Ryan Little
Elenco: Corbin Allred, Alexander Polinsky, Peter Holden, Lawrence Bagby, Kirby Heyborne
País: EUA
Ano: 2003
Duração: 90 minutos
Língua: Inglês / Francês / Alemão
Nota IMDb: 7,0
Cores: Colorido
Trailer





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Santos, Soldados e Sombras

Santos ou Soldados se passa num fato histórico trágico: o Massacre de Malmedy, Bélgica, ocorrido na campanha das Ardenas, no rigoroso inverno de dezembro de 1944. Quatro soldados — o cabo “Deacon”, o sargento Gunderson, o paramédico Gould e o soldado Kendrick — conseguem escapar das tropas da Waffen-SS*, tomando um rifle Mauser Kar98k (cuja capacidade é só cinco tiros), e adentrar a floresta nevada.

Logo surgem outros inimigos: não bastasse o frio, o medo e o fato de virem de diferentes partes do país (Nova York, Arizona, Louisiana e Illinois) e do exército (dois são da 101ª Aerotransportada; um, médico; e Kendrick, da infantaria), as crenças e personalidades acirram ainda mais diferenças. Oriundo do Brooklin, Gould provavelmente teve uma infância difícil, o que explica individualismo e ceticismo e o fato de roubar dos mortos. Ele se desentende com Deacon, um interiorano muito religioso que dá mostras de um forte estresse pós-traumático. Tudo se complica ainda mais quando o grupo encontra o sarcástico Winley, um sargento-aviador da Força Aérea Britânica que tem uma missão importantíssima. O longa aborda muito bem conflitos como sobrevivência x dever; desumanização x crença no ser humano; mesquinharia x generosidade; religiosidade x ceticismo; personificando essas crenças nos personagens. Os soldados, tendo de enfrentar os alemães e essa “guerra” particular, fortalecem seus laços e transformam a visão de mundo uns dos outros.

A produção não tem grandiosidades, mas é muito caprichada. Os atores, embora desconhecidos, são muito competentes. A fidelidade de detalhes e equipamentos corretos impressiona — a exemplo do coração no capacete do sargento, que representa o 2º Batalhão do 502º Regimento da 101ª, que realmente atuou nas Ardenas. A trilha sonora discreta e a fotografia ligeiramente descolorida e ágil são a moldura perfeita para transformar esse conjunto num ótimo filme.



Heber Costa





* Pela época e uniformes retratados no filme, as tropas de panzergrenadiers ali representadas provavelmente eram da 1ª divisão de Panzers da SS (Schultz Staffeln, isto é, “esquadrões de proteção") — apelidada Leibstandarte Adolf Hitler (Guarda-costas de Adolf Hitler) — e estariam sob o comando do SS-Standartenfürher (Coronel) Joachim Peiper, que comandava um Kampfgrouppe de tanques Panzers e Tigers.




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Roteiro da morte: Malmedy & Bastogne

Ao se aproximar o final do ano de 1944, a situação na Europa se encontrava bastante instável, e o controle de pontos estratégico era vital para o sucesso nas batalhas. Um dos momentos mais tensos desse período foi a disputa pelo controle da região das Ardenas (Malmedy, Saint Vith, Houffaliza e Bastogne), por conta de dois acontecimentos que marcaram a guerra: o Massacre de Malmedy e a Batalha de Bastogne.

Contando com um forte contingente de soldados e blindados, os alemães partem em direção a essa região por se tratar de um ponto de convergência estratégica. A intenção era tomar de assalto as quatro cidades e depois seguir em direção a Antuérpia, contudo nesse caminho ocorreu o encontro das tropas aliadas com o exército alemão — em Malmedy —, ali os soldados americanos se tornaram prisioneiros e num ato de extrema pusilanimidade foram quase todos executados. O filme Santos ou Soldados parte desse evento para explorar a convivência de um grupo de soldados que consegue escapar dessa chacina — em especial a de “Deacon”. Passando por questionamentos comuns aos soldados — num momento em que não estão travando batalhas —, ele se pergunta se está fazendo certo em matar os seus inimigos e às vezes até civis em troca de sua sobrevivência.

Vale destacar também a Batalha de Bastogne onde milhares de soldados perderiam a vida. O empenho tanto dos alemães em conquistar essa cidade quanto os aliados em defendê-la foi colossal, pois eles não lutavam somente entre si, mas também pra suportar o inverno e as fortes nevascas sem padecer diante de tal intempérie. Só foi possível dar um ritmo a batalha após o término das tempestades de neve, pois é nesse momento que as esquadrilhas aéreas entram em ação e ditam o compasso da vitória aliada. Santos ou Soldados pode ser considerado um bom entretenimento para os fãs de filmes de guerra e, como fonte histórica, pode servir de um bom apoio didático para observar a situação climática que os soldados enfrentavam, além de usar como pano de fundo o terrível episódio do Massacre de Malmedy.



Adriano Almeida




3 comentários:

Sophia disse...

o blog ta ótimo, as criticas estão boas, da pra ter uma ideia muito boa dos filmes!! Continuem assim! hehehehe

Fernanda de S. Nascimento disse...

Meninos! Obrigada por linkarem meu blog! A Sophia colocou um comentário no Memórias do Front e assim cheguei até vocês. Parabéns pelo projeto! Conhecem a Oriza do Orkut? Ela tem um site muito bacana sobre os filmes de guerra também. Abraços!

Fernanda de S. Nascimento disse...

Heber! Sim, conheço o livro do McCann, alias, gosto muito dele. O endereço do site que te falei: http://www.orizamartins.com/cg-cinema-guerra.html

A dona do site chegou a abrir um forum sobre os filmes, mas não ninguém posta a um tempã. Existem muitos filmes que ainda não consegui assistir como o Das Boot. Espero em breve conseguir. Abraços!