5 de jan de 2009

Razões para a Guerra

Título original: Why We Fight
Direção: Eugene Jarecki
País: EUA
Ano: 2005
Duração: 98 minutos
Língua: Inglês e árabe
Nota IMDb: 8,1
Cores: Colorido
Trailer







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Por que Eles Lutam?

Um alerta de Eisenhower, ao deixar a presidência dos EUA em 1961, é a premissa deste documentário de Eugene Jarecki. Em seu último discurso, ele adverte sobre os perigos do desenvolvimento exacerbado de um “complexo militar-industrial” e da política de militarização permanente do Estado.

Partindo desse ponto, o diretor estabelece as conexões nem sempre visíveis entre a política externa, as ações militares, os rumos econômicos e as discussões políticas por trás da guerra. Razões para a Guerra é na verdade um estudo, com mais perguntas do que respostas, sobre a política belicosa dos EUA e os motivos por trás dela.

Esse estudo se dá num nível macro — que compreende as articulações políticas e discursos oficiais de ambos os lados (os que apóiam e os que não apóiam a militarização) — e no nível micro — que é o nível pessoal, daquelas histórias que são diretamente influenciadas pelos rumos que o país toma.

Embora dê voz a ambos os lados, o documentário de Jarecki não é nem um pouco neutro: ele constrói um discurso claro e veemente contra o caminho que os EUA vêm seguindo. Mas isso eleger um bode expiatório. O filme mostra que isso vem sendo praticado há anos, mas que os investimentos militares vêm crescendo exponencialmente e a olhos vistos enquanto que as ameaças tornam-se cada vez mais invisíveis e nebulosas. Como justificar então que 22% (quase 1/4) do orçamento global do país seja direcionado para a defesa?

Essa e outras perguntas, como a do próprio título original (“Por que lutamos?”), são feitas direta ou indiretamente aos entrevistados — que incluem membros do alto escalão do governo, militares da reserva e da ativa, agentes da inteligência, mas também o cidadão comum — e ao próprio espectador. O título original, aliás, é o mesmo da série de filmes produzida pelo legendário Frank Capra no início da Segunda Guerra para convencer a população a abraçar a causa. Na época, essa pergunta parecia ter uma resposta clara; hoje, as razões parecem nebulosas.

Para nós, não-americanos, o que se vê é que os EUA possuem massa crítica dentro das suas próprias fronteiras para avaliar as atitudes dos seus governantes, tentando ao mesmo tempo acreditarem o seu país e confiarem neles.


Heber Costa


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Mocinhos e Bandidos

Sempre que se conta uma estória procuramos estabelecer lados distintos: bem e mal, vítima e vilão, mocinho e bandido, etc. Porém nunca procuramos entender o porquê de os personagens fazerem parte de algum dos dois lados — se é que realmente existem “lados”. Acabamos olhando pelos olhos de outros. Isso pode ser bem observado nos fatos mais marcantes da nossa história contemporânea, tais como as bombas atômicas, a criação do Estado de Israel, a Guerra do Iraque, a invasão do Afeganistão, o 11 de setembro, entre outros. Alguns dizem que foram decisões acertadas; outros defendem a idéia de que foi “um mal necessário”; e há os que acreditam que foram atos horríveis, o que acaba influenciando profundamente a opinião pública.

O documentário Razões Para a Guerra cria uma situação um tanto inusitada, pois elabora, a partir do 11 de setembro, uma cronologia histórica da industria bélica norte americana e sua atuação nos fatos mais marcantes da nossa era. Partindo do pressuposto de defesa da liberdade e da democracia e estabelecendo um combate direto e indireto com o bloco socialista, a “máquina de guerra” americana criou, financiou e até mesmo acabou com várias batalhas. Impregnado por ideais freqüentemente duvidosos e na maior parte do tempo apenas com a intenção se autopromover, esse grupo ditou as normas dentro e fora dos Estados Unidos muitas vezes foram apoiados; outras, severamente criticados.

Apesar de ter uma vertente de contestação, o documentário retrata a opinião da população norte-americana em todos os seus aspectos — positivos e negativos. Um dos melhores momentos do documentário foi a quase premonição do presidente americano Eisenhower sobre o perigo de se criar um verdadeiro Frankenstein. Bem, historicamente é um excelente apoio didático e culturalmente um ótimo esclarecedor de opinião.

Vale lembrar que não podemos procurar mocinhos e bandidos nos fatos históricos, pois os homens são apenas figurantes, e não os personagens principais.

Adriano Almeida

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