8 de fev. de 2009

A Queda! – As Últimas Horas de Hitler



Título original: Der Untergang
Direção: Oliver Hirschbiegel

Elenco: Bruno Ganz, Alexandra Maria Lara, Christian Berkel, Juliane Köhler
País
: Alemanha, Itália e Áustria
Ano: 2005
Duração: 156 minutos
Língua: Alemão e russo
Nota IMDb: 8,4
Cores: Colorido







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Adeus, Hitler!

Baseado nas notas autobiográficas da secretária Traudl Junge, este filme aborda apenas uma parte da trajetória meteórica de Adolf Hitler no comando da Alemanha nazista. Grande parte dele se passa no bunker particular de Hitler e retrata o cotidiano de todos aqueles que faziam o trabalho burocrático ou prestavam aconselhamento a ele.

Considerado bastante polêmico por mostrar tanto seu lado imprevisível, autoritário e cruel quanto um lado mais humano e até agradável de Hitler, este A Queda é uma produção realmente digna de nota. Todos os detalhes, até onde se sabe, estão perfeitos. A fotografia é corretíssima, e aspectos como maquiagem, figurino, etc., são impecáveis. O fato de ser uma produção alemã agrega muito mais valor ao filme. Sente-se que o tema está sendo tratado com propriedade e que, ao mesmo tempo, expurga um desabafo dos alemães em relação a esse tema quase tabu.

Outro ponto de destaque é a atuação de Bruno Ganz, que interpreta o Führer com maestria tão grande que não há quem não se convença de que ele realmente estudou todos os cacoetes e as minúcias do comportamento e da personalidade de Hitler. Outros personagens importantes também estão muito bem caracterizados, como Himmler, Speer, Goebbels e Göring.

Enfim, dentro da linha de filmes biográficos, este certamente figuraria entre os três primeiros. Além de seu apuro estético, é um filme fantástico.

Heber Costa

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Um Louco no Comando

Os grandes momentos da história estiveram marcados pela presença de homens com o poder de alterar o resultado dos fatos — para melhor ou pior. É natural que nos momentos históricos aconteça uma procura de personagens para dar-lhes “vida”. Vilões e heróis surgiram e irão surgir no tempo histórico, alguns marcam a História de forma terrível e outros são tão extraordinários que é difícil não se sensibilizar com a sua trajetória de atos e vida.

A Queda – As Últimas Horas de Hitler procura expor os momentos finais da vida do líder nazista, explorando o lado mais íntimo do ditador, o filme mostra com eram inconstantes as atitudes do Führer. O homem por trás de toda a tragédia ocorrida na Europa tinha objetivos tão vis que suas decisões chegavam a ser ridículas e muitas vezes eram questionadas pelos seus próprios generais, que não entendiam como as ordens dadas por Hitler poderiam levar à Alemanha a vitória. Com uma rápida ascensão e sem ganhar uma eleição presidencial, Hitler obteve poder absoluto e apoio popular em pouquíssimo tempo. Ele tinha uma política muito centrada em levar a Alemanha a ser o centro do mundo e para isso transformou o país em uma grande indústria bélica, chegando a ter o maior poderio de guerra do mundo.

Um fator importante do filme é a relação de Adolf Hitler como os seus funcionários mais íntimos, eles nutriam uma admiração e lealdade tão extrema que chegava a ser algo doentio, endeusavam o seu líder e eram capazes que qualquer coisa para segui-lo. O tormento da Europa começa a chegar ao fim com a aproximação das tropas russas ao quartel general do ditador em Berlim, acuado ele não aceita a idéia de recuar ou fazer um acordo e ordena que os seus exércitos ataquem as tropas soviéticas, porem já era tarde demais para uma reviravolta, e o destino da Segunda Guerra estava traçado: o final do Führer foi o suicídio juntamente com uma boa parte de seus fiéis escudeiros.

Por se tratar, praticamente, de uma biografia de Traudl Junge, enquanto foi secretaria de Hitler — A Queda – As Últimas Horas de Hitler — é um ótimo apoio didático para ser utilizados em sala de aula e um excelente e esclarecedor filme para os interessados nos personagens de guerra.

Adriano Almeida

Biografias da Guerra

Não é nenhuma novidade que as guerras, como outros fatos históricos, envolvem milhares, milhões de pessoas. Mas também não é raro que o destino de povos inteiros caiam nas mãos de um único homem. Considerando a seriedade de casos assim, decidimos abordar três importantes biografias de personagens famosos da história bélica mundial.

Abraços!

25 de jan. de 2009

Guerra em Bagdá

Título original: The Fight for Baghdad
Direção: Tim Prichard
País: EUA
Ano: 2005
Duração: 100 minutos
Língua: Inglês
Nota IMDb: não tem
Cores: Colorido
Trailer: o vídeo abaixo contém algumas





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A Guerra Sem Fim

Desde a Guerra do Vietnã, os conflitos armados tornaram-se objeto de transmissões ao vivo e fonte de imagens reais a serem transmitidas diretamente ao público. Não é nenhuma novidade que a mídia tem utilizado esse recurso não apenas para divulgar os “fatos”, mas também para exercer seu papel de formadora de opinião. Este documentário produzido pelo Discovery Channel é uma prova dessa nova forma de cobrir as guerras e do efeito que ela pode causar na opinião pública.

Baseado nas próprias imagens da guerra, em recriações feitas por computador e entrevista com militares envolvidos no conflito, Guerra em Bagdá retrata a chamada Operação Iraqi Freedom, ou seja, de libertação do Iraque, em 2003. Por um lado, vale destacar que há bastante ênfase em desmitificar o soldado hollywoodiano que não teme nada. Vários entrevistados falam nisso. São vidas reais que estão em jogo, mas esses soldados só percebem isso quando a primeira bala passa por cima. Também é interessante ver como opera a máquina de guerra americana, seus tanques
M1A1, seus A-10, etc. Por outro lado, cabe ao menos uma crítica: embora fale repetidamente na coalizão, há apenas uma menção aos britânicos. No mais, a imagens e entrevistas são exclusivamente dos americanos. Isso, no mínimo, pode gerar certa desconfiança quanto viés que está sendo dado.

É a Guerra do Iraque vista do ponto de vista dos EUA, sem dúvida alguma. Isso é ruim? Não necessariamente. Sabendo identificar e separar os discursos, as “verdades” e ideologias que estão sendo veiculadas, este documentário é um ótimo relato televisivo do que foi a tomada de Bagdá e a derrubada do regime de Sadam Hussein. O filme não questiona em nenhum momento (por falta de interesse ou por concordar?) os motivos do ataque, a saber as acusações contra o ditador iraquiano de apoio a terroristas fanáticos e de produção de armas de destruição em massa, que aliás não foram comprovadas até hoje. Não há como deixar de comparar essa ofensiva com os inúmeros golpes-de-estado militares ocorridos em vários países pelo mundo afora.

Embora ligeiramente tendencioso, o documentário suscita questões importantes quando dá voz aos soldados que ainda estavam lá em 2004 e já questionavam o seu papel de polícia e o impasse na retirada das tropas. Não é nada comparado à Guerra dos Cem Anos ou coisa parecida, mas cabe uma pergunta: por que essa guerra não termina afinal?

Heber Costa



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Território Inóspito


O conhecimento do terreno onde se irá travar as batalhas é um dos fatores que mais interferem no desfecho final da guerra. Normalmente os soldados nativos dos locais onde acontecem os combates levam certa vantagem, porém será que a tecnologia aliada a uma estratégia mais eficiente e um batalhão melhor equipado pode suplantar essa desvantagem?

A utilização dos aspectos naturais de determinado local faz grande diferença no transcorrer dos duelos, podemos notar isso nas grandes investidas fracassadas nos momentos mais importantes da história das guerras, exemplos não nos faltam: o ataque de Napoleão Bonaparte à Rússia, a investida alemã ao leste europeu na Segunda Guerra Mundial, a derrota americana no Vietnã e a retirada do Estados Unidos na primeira invasão ao Iraque. Contudo, muitas vezes a tecnologia e um plano estratégico eficiente falam mais alto do que o pouco conhecimento do campo de batalha.

O documentário Guerra em Bagdá mostra que a tecnologia aliada à estratégia podem fazer a diferença na hora H. Enquanto os americanos lutavam em tanques de última geração e com armas que podiam disparar sem colocar em risco a integridade física dos soldados, os iraquianos faziam uma espécie de guerrilha, com suas milícias e seus homens e carros bombas. Tentado utilizar as dificuldades encontradas pelos invasores, os iraquianos tentaram fazer com que as batalhas acontecessem de forma fracionada e isolada umas das outras, porém tal estratégia foi inútil para parar a investida americana.

Com o fim da Guerra Fria, o Estados Unidos mostrou ao mundo — especialmente na Guerra do Iraque — uma nova forma de guerrear: utilizando a mais alta tecnologia no campo de batalhas e cada vez menos expondo os seus soldados eles conseguem levar “a confusão para o quintal do seu inimigo”. Alguns podem dizer que isso tornou a guerra menos clássica e mais desumana, mas quando é que ela foi humana?


Adriano Almeida

15 de jan. de 2009

Corações e Mentes

Título original: Hearts and Minds
Direção: Peter Davis
País: EUA
Ano: 2005
Duração: 112 minutos
Língua: Inglês, francês e vietnamita
Nota IMDb: 8,5
Cores: Colorido
Trailer






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Corações e Mentiras

Reunindo um conjunto importante de entrevistados, imagens de arquivo e filmadas in loco, o premiado documentário Corações e Mentes definitivamente é um dos mais viscerais já realizados sobre o envolvimento americano no Vietnã. Em parte, isso se deve ao fato de o filme ter sido produzido em 1974, logo após a saída dos EUA e já no final do conflito, agora combatido exclusivamente pelos vietnamitas.

Entre os entrevistados estão assessores, secretários de Estado, jornalistas, militares, religiosos, veteranos, prisioneiros de guerra, líderes, desertores, políticos e civis tanto americanos quanto vietnamitas, pró e contra a ação militar no Sudeste Asiático. Alguns dão depoimentos pungentes, emocionados e revoltados; outros buscam analisar racionalmente as causas e conseqüências do conflito. Esses dois tipos de entrevistas somados às declarações de presidentes de ambos os países são costurados para formar a base discursiva do documentário, que visa claramente mostrar que a Guerra do Vietnã foi um erro induzido por má inteligência militar e valorização da cultura beligerante. Apesar disso, vale dizer, o filme não tem caráter explicitamente militante pró-comunismo ou contra o capitalismo: acima de tudo, é um filme contra a guerra e a política externa que foi desenvolvida para justificar a ação militar.

Bombardeios, pronunciamentos oficiais, torturas, desfiles cívicos, execuções, volta de prisioneiros de guerra, manifestações pacíficas, combates, enfim algumas das imagens mais importantes da época e da própria guerra — a primeira a ser acompanhada intensamente pela mídia praticamente em tempo real — estão presentes neste filme.

Talvez por ter sido produzido no “calor do momento”, Corações e Mentes não se presta a grandes explicações didáticas, deixando muitas referências abertas, nem enfatiza uma linha narrativa cronológica do conflito. Em outras palavras, aparentemente tem o objetivo de trazer outro ponto de vista a quem já conhece a história oficial da Guerra do Vietnã: o lado obscuro da história.


Heber Costa




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O que aprendemos com isso?


Sempre são feitas reflexões a respeito das medidas tomadas no transcorrer das guerras, foi assim após a primeira grande guerra, na segunda também não foi diferente, na Guerra do Vietnã, do Iraque, etc. Contudo, nem sempre conseguimos enxergar as verdadeiras conseqüências das guerras.

O que acontece nas guerras tem conseqüências avassaladoras na vida das pessoas podendo mudá-las para melhor ou pior. O documentário Corações e Mentes, sobre a Guerra do Vietnã, mostra uma certa dimensão do conflito em que, muitas vezes, os soldados não tem noção da conseqüência dos seus atos. Um dos momentos mais marcantes do documentário é o depoimento de um piloto americano ao dizer que não tinha essa noção e imagina como seria se isso chegasse a acontecer com seus filhos.

Não precisamos nos esforçar muito para imaginar o impacto dos acontecimentos nas populações do Vietnã e dos Estados Unidos. No transcorrer das batalhas, o modo de ver, pensar e reagir foi se modificando, e o que no início era apoio passou a ser contestação — com relação aos norte-americanos —, e de uma resistência pequena a uma feroz guerrilha contra os invasores. Não se pode negar a diferença entre o poderio bélico das duas nações, mas o menosprezo dos comandantes norte-americanos levou a subestimar o poderio humano dos vietcongues.

Historicamente vemos que sempre existe uma mudança no pensamento das pessoas — estando ou não ligadas diretamente à guerra — com relação aos acontecimentos. Algo natural, pois não temos como imaginar a conseqüência de tais acontecimentos na vida das pessoas.

Muitos podem dizer que aprendemos coisas para não repeti-las no futuro, porém a história nos mostra que não é isso exatamente o que acontece.

Adriano Almeida

5 de jan. de 2009

Razões para a Guerra

Título original: Why We Fight
Direção: Eugene Jarecki
País: EUA
Ano: 2005
Duração: 98 minutos
Língua: Inglês e árabe
Nota IMDb: 8,1
Cores: Colorido
Trailer







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Por que Eles Lutam?

Um alerta de Eisenhower, ao deixar a presidência dos EUA em 1961, é a premissa deste documentário de Eugene Jarecki. Em seu último discurso, ele adverte sobre os perigos do desenvolvimento exacerbado de um “complexo militar-industrial” e da política de militarização permanente do Estado.

Partindo desse ponto, o diretor estabelece as conexões nem sempre visíveis entre a política externa, as ações militares, os rumos econômicos e as discussões políticas por trás da guerra. Razões para a Guerra é na verdade um estudo, com mais perguntas do que respostas, sobre a política belicosa dos EUA e os motivos por trás dela.

Esse estudo se dá num nível macro — que compreende as articulações políticas e discursos oficiais de ambos os lados (os que apóiam e os que não apóiam a militarização) — e no nível micro — que é o nível pessoal, daquelas histórias que são diretamente influenciadas pelos rumos que o país toma.

Embora dê voz a ambos os lados, o documentário de Jarecki não é nem um pouco neutro: ele constrói um discurso claro e veemente contra o caminho que os EUA vêm seguindo. Mas isso eleger um bode expiatório. O filme mostra que isso vem sendo praticado há anos, mas que os investimentos militares vêm crescendo exponencialmente e a olhos vistos enquanto que as ameaças tornam-se cada vez mais invisíveis e nebulosas. Como justificar então que 22% (quase 1/4) do orçamento global do país seja direcionado para a defesa?

Essa e outras perguntas, como a do próprio título original (“Por que lutamos?”), são feitas direta ou indiretamente aos entrevistados — que incluem membros do alto escalão do governo, militares da reserva e da ativa, agentes da inteligência, mas também o cidadão comum — e ao próprio espectador. O título original, aliás, é o mesmo da série de filmes produzida pelo legendário Frank Capra no início da Segunda Guerra para convencer a população a abraçar a causa. Na época, essa pergunta parecia ter uma resposta clara; hoje, as razões parecem nebulosas.

Para nós, não-americanos, o que se vê é que os EUA possuem massa crítica dentro das suas próprias fronteiras para avaliar as atitudes dos seus governantes, tentando ao mesmo tempo acreditarem o seu país e confiarem neles.


Heber Costa


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Mocinhos e Bandidos

Sempre que se conta uma estória procuramos estabelecer lados distintos: bem e mal, vítima e vilão, mocinho e bandido, etc. Porém nunca procuramos entender o porquê de os personagens fazerem parte de algum dos dois lados — se é que realmente existem “lados”. Acabamos olhando pelos olhos de outros. Isso pode ser bem observado nos fatos mais marcantes da nossa história contemporânea, tais como as bombas atômicas, a criação do Estado de Israel, a Guerra do Iraque, a invasão do Afeganistão, o 11 de setembro, entre outros. Alguns dizem que foram decisões acertadas; outros defendem a idéia de que foi “um mal necessário”; e há os que acreditam que foram atos horríveis, o que acaba influenciando profundamente a opinião pública.

O documentário Razões Para a Guerra cria uma situação um tanto inusitada, pois elabora, a partir do 11 de setembro, uma cronologia histórica da industria bélica norte americana e sua atuação nos fatos mais marcantes da nossa era. Partindo do pressuposto de defesa da liberdade e da democracia e estabelecendo um combate direto e indireto com o bloco socialista, a “máquina de guerra” americana criou, financiou e até mesmo acabou com várias batalhas. Impregnado por ideais freqüentemente duvidosos e na maior parte do tempo apenas com a intenção se autopromover, esse grupo ditou as normas dentro e fora dos Estados Unidos muitas vezes foram apoiados; outras, severamente criticados.

Apesar de ter uma vertente de contestação, o documentário retrata a opinião da população norte-americana em todos os seus aspectos — positivos e negativos. Um dos melhores momentos do documentário foi a quase premonição do presidente americano Eisenhower sobre o perigo de se criar um verdadeiro Frankenstein. Bem, historicamente é um excelente apoio didático e culturalmente um ótimo esclarecedor de opinião.

Vale lembrar que não podemos procurar mocinhos e bandidos nos fatos históricos, pois os homens são apenas figurantes, e não os personagens principais.

Adriano Almeida

Documentários

Começamos este ano de 2009 com algumas mudanças no Cenas da Guerra.

Primeiro, extinguimos a seção "Indicação de Livro", por razões muito práticas e sinceras: 1) Não estávamos conseguindo indicar livros relacionados ao assunto; 2) Não queríamos indicar livros que não tivessem a ver com a temática tratada; 3) Não achamos justo indicar livros que não lemos apenas para preencher espaço. Assim, decidimos focar no que realmente está em voga neste blog: os filmes.

Segundo, vamos inaugurar o ano com um bloco de filmes que são semelhantes não exatamente na sua temática, mas no seu gênero. Como vocês já devem ter adivinhado pelo título desta postagem, vamos trabalhar três documentários relacionados à guerra que acreditamos serem relevantes para vocês.

Aguardamos suas sugestões, críticas e (por que não?) elogios.

Adriano Almeida e Heber Costa

25 de dez. de 2008

Feliz Natal

Título original: Joyeux Noël
Direção: Christian Carion
Elenco: Diane Kruger, Benno Fürmann, Daniel Bruhl, Guillaume Canet, Alex Ferns
País: Alemanha, Bélgica, França, Grã Bretanha e Romênia
Ano: 2005
Duração: 116 minutos
Língua: Inglês, francês, alemão e latim
Nota IMDb: 7,8
Cores: Colorido
Trailer









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Para Acabar com Todas as Guerras

Baseado em fatos reais (na verdade, várias histórias reais combinadas), Feliz Natal é um filme sobre relatos de confraternizações ocorridas no front europeu no Natal de 1914, ou seja, logo no início da Primeira Guerra Mundial, entre combatentes dos países aliados (franceses, ingleses, escoceses, etc.) e os alemães.

De início, vale fazer um comentário a respeito do fato histórico em si: tais confraternizações só teriam sido possíveis graças a um fundo cultural em comum entre os soldados. Nominalmente, poderia ser citado logo o aspecto religioso ocidental, no caso, cristão. Embora se saiba que àquela altura muitos franceses, escoceses e alemães tivessem uma orientação protestante, não é de todo absurdo que, em meio à guerra, soldados pudessem se reunir em torno de dos valores do cristianismo lato sensu, representando no filme pela figura do padre católico Palmer (Gary Lewis), cuja visão do espírito cristão ultrapassa as fronteiras das vertentes religiosas.

Um segundo aspecto cultural compartilhado é o latim, que nos primeiros séculos depois de Cristo foi a língua franca da Europa e, na Idade Média, a língua em que muitos tratados artísticos, científicos e religiosos eram escritos. Esse ancestralismo simbólico fica claramente representado na missa cristã. As várias línguas, aliás, estão todas presentes.

Outro aspecto comum, o terceiro, é o estilo de vida privada partilhado pelos soldados europeus, a grande maioria jovens, casados e de profissões comuns, como padeiro, carpinteiro, barbeiro. Aí ganha relevância o cantor lírico Nikolaus Sprink (Benno Fürmann), que, tendo partilhado o sofrido cotidiano de seus companheiros de armas, decide ir ao front a fim de cantar para eles e traz junto a linda Anna Sörensen (Diane Krüger). As músicas, sem dúvida, roubam a cena. Isso graças a Rolando Villazón e Natalie Dessay, os verdadeiros donos das vozes, que, aliadas à boa dublagem, tornam essas cenas impactantes.

O trio de oficiais — o alemão Horstmayer (o ótimo ator Daniel Bruhl, de Edukators e Adeus, Lenin!), o escocês Gordon (Alex Ferns) e o francês Audebert (Guillaume Canet) — está excepcional em termos de atuação. Sem falar na produção, que é muito esmerada: efeitos especiais, fotografia, cenários, figurino… tudo o mais próximo possível da realidade. Não é à toa que Feliz Natal foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e ao Globo de Ouro.

Enfim, um filme inspirador sobre “a guerra para terminar todas as guerras”, aquela em que “as pás foram mais usadas do que os rifles”. Um filme de guerra para que nunca mais haja outra.



Heber Costa


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Heroísmo Desarmado

O dia 24 de dezembro de 1914 seria mais um dia cinza de bombardeios e constantes avanços sem sucesso das infantarias se não fosse por uma data tão sublime para todos, era o Natal. Com ele, veio mais uma das fortes mudanças psicológicas que os soldados passaram durante a Primeira Guerra.

Um turbilhão de emoções que vai desde a euforia de poder participar de uma guerra — e quem sabe retornar com um verdadeiro herói —, passando pela incerteza de quem não sabe se irá voltar para casa e encontrar seus entes queridos, a revolta por estar lutando em uma guerra que não acaba nunca e sem ter a mínima condição de viver no front e inúmeros outros sentimentos que se pode passar muito tempo enumerando.

Contudo destacam-se dois em especial: a compaixão e o companheirismo. Não só entre soldados que estavam no mesmo lado, mas entre os homens que ainda acreditavam, no fundo de sua alma, que era possível haver espaço para a celebração de algo acima deles e daquela “guerra tola”.

Tal evento se repetiu em vários pontos do front, demonstrando algo até então não verificado pelos generais em seus gabinetes luxuosos e longe do barulho das explosões, que os homens, soldados, não estavam prontos, psicologicamente, para uma guerra.

Eles foram heróis, mas por não dispararem nenhuma bala.


Adriano Almeida



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15 de dez. de 2008

Os Gritos do Silêncio


Título original: The Killing Fields
Direção: Roland Joffé
Elenco: Sam Waterson, Haing S. Ngor, John Malkovitch
País: Grã Bretanha
Ano: 1984
Duração: 141 minutos
Língua: Inglês, francês e khmer
Nota IMDb: 8,0
Cores: Colorido
Trailer













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Os Campos da Morte

Grande sucesso nos anos oitenta — tanto por conta dos horrores mostrados como por ter a famosíssima Imagine, de John Lennon (morto em 1980), na sua trilha —, Os Gritos do Silêncio foi mais um da frutífera safra (iniciada com O Franco-atirador, em 1978, e terminada com Pecados de Guerra, em 1989) que aborda a atuação controversa dos EUA no Sudeste Asiático.

É o auge da Guerra Fria e o fim da Guerra do Vietnã, já na Era Nixon (que, a essa altura, estava atolado até o pescoço no Watergate). O repórter cambojano Dith Pran trabalha como intérprete para Sydney Schanberg, do New York Times, que tinha a missão de investigar as incursões americanas no Camboja. Paralelamente, esse país asiático vivia uma guerra pelo poder entre os governantes e o Khmer Vermelho, que vence a luta, já nos idos de 1975, e estabelece campos de reeducação — verdadeiros “campos da morte”, fato que inspirou o título original. É nesse contexto (entre três conflitos: o do Vietnã, a guerra civil no Camboja e um conflito entre os dois) que se passa a odisséia real de Schanberg (Sam Waterson) pela verdade e de Pran (Haing S. Ngor) pela sua própria vida.

Aqui, o cunho político é tão forte quanto o biográfico. Não são poucas as referências ao fornecimento de armas por parte dos EUA e da URSS, inclusive com cenas irônicas como a das tropas do governo, equipadas pelos americanos, festejando a entrada de soldados do Khmer em cima de
APCs na capital, Phnom Penh. É curioso também observar Schanberg, um típico americano, educado nos valores da liberdade, deparando-se com a censura e a repressão sem limites dos rebeldes, sem falar no alistamento de crianças e nas táticas terroristas de guerrilha, consideradas uma violação dos códigos de guerra do ponto de vista da cultura ocidental.

A despeito do sucesso, há uma crítica: o filme é um tanto confuso quando se trata do conflito como um todo. Algumas transmissões de rádio perdidas iluminam um pouco o caminho do espectador, mas no geral, é difícil entender o contexto político. Não há grandes destaques na parte técnica, mas destacam-se a trilha sonora (ainda que experimental demais às vezes) e os efeitos nas cenas de combate, ferimentos e destruição. A atuação de
Haing S. Ngor lhe rendeu um Oscar, o segundo para um ator não-profissional, algo que não acontecia desde 1946.

A vida de Ngor, aliás, é um caso à parte. Ele era um obstetra e oficial médico do exército cambojano que acabou
prisioneiro do Khmer Vermelho, foi torturado e perdeu a esposa grávida naqueles campos. Refugiou-se nos EUA e, em 1984, atuou em Os Gritos do Silêncio. Seu fim foi trágico: em 1996, foi assassinado na porta de sua garagem. A princípio, suspeitou-se do Khmer; depois, as investigações mostraram que foi um mero latrocínio.

O filme é quase unanimidade. Definitivamente, um ótimo retrato de um conflito que ainda tem muito a oferecer para aqueles que querem compreender a alma humana.





Heber Costa

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Influências Silenciosas

O Camboja foi por muito tempo colônia francesa. Isso influenciou o sistema de governo do país que levaria a uma guerra civil sem precedentes na história dessa nação. Essa guerra é bem retratada no filme Os Gritos do Silêncio, que apesar de tratar um caso particular de luta pela sobrevivência — a do jornalista cambojano Dith Pran ­— tem como pano de fundo os diversos acontecimentos que marcaram a vida da população cambojana.

A região da Indochina após a Segunda Guerra Mundial virou um lugar de instabilidade constante. Por estar muito próxima a países socialistas e por ter sido protetorado francês, a Indochina acabou ganhando uma extrema importância no campo da disputa política durante os anos da Guerra Fria. A esfera de influência dos países capitalistas e socialistas se expandia de forma rápida na Ásia Insular com a ascensão e desenvolvimento acelerado do Japão e a Revolução Cultural na China, fazendo com que os países próximos a eles entrassem — mesmo que sem querer — no meio de uma guerra trágica, cruel e “silenciosa”. Exemplos não faltam, porém os melhores são sem dúvida alguma o Vietnã e o Camboja. Com relação ao primeiro não há o que a acrescentar aqui, as imagens e relatos da guerra falam por si sós; contudo, o segundo mostra que a influência dos países capitalistas e socialistas foi mais nos “bastidores” do que no próprio “palco de guerra”.

Governantes severos e repressores mergulharam o Camboja em uma situação de instabilidade política depois da independência do país, que se aproximaria do mundo capitalista. Porém, sua proximidade a países socialistas — China e Rússia — e a fracassada investida norte-americana no Vietnã levaram os opositores do governo a organizarem uma resistência — Khmer vermelho. Inicialmente, o KV teria o apoio da população, porém com a sua chegada ao poder e a política de educação — por sinal bem retratada no filme — adotada levaram a população a um estado de miséria profunda, e o país quase acabou todas as suas indústrias, lembrando muito a época feudal daquela região. Seguidos golpes e alternância no governo só fizeram agravar a crise no país até os anos 1990, quando, com o enfraquecimento do bloco socialista e a assinatura de um acordo, se conseguiu certa estabilidade política — agora sem a interferência silenciosa da Guerra Fria, que levou à reorganização do país que foi massacrado por uma guerra de interesses que não eram dele.

Um dos pontos altos do filme Os Gritos do Silêncio é retratar o tratamento diferenciado dado pelo Khmer Vermelho aos estrangeiros — principalmente os franceses — durante a guerra civil, totalmente diferente do que era dado à população cambojana.
Adriano Almeida
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5 de dez. de 2008

Hotel Ruanda

Título original: Hotel Rwanda
Direção: Terry George
Elenco: Don Cheadle, Joaquim Phoenix, Nick Nolte
País: Grã Bretanha / Itália / EUA / África do Sul
Ano: 2004
Duração: 121 minutos
Língua: Inglês e francês
Nota IMDb: 8,4
Cores: Colorido
Trailer






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As Ruínas de Ruanda

Vários aspectos fazem de Hotel Ruanda um filme de que vale a pena tratar, mas vou citar apenas três: (1) nunca é demais expor os horrores da guerra, especialmente a guerra civil; (2) é um dos mais recentes conflitos transformados em filme; (3) é uma crítica à postura mundial quanto aos conflitos internos das nações, especialmente na África.

A história real de um pai, Paul Rusesabagina (Don Cheadle), que luta para proteger sua família é a premissa desse longa que mostra todas as etapas de uma turbulência até se transformar numa guerra civil. As guerras civis geralmente são muito violentas e não respeitam convenções internacionais sobre conflitos armados. Elas envolvem, muitas vezes, questões políticas, sociais e ódio racial, como foi o caso da disputa entre hutus e tutsis naquele país do sudeste da África.

Paul trabalha um hotel que é uma espécie de oásis em meio a um deserto de miséria e ódio: nada penetra aquelas paredes. Tentando manter-se alheio a tudo, Paul imerge num mundo que não é o seu (o do turismo, do comércio, do luxo), mas acaba sendo chamado à realidade quando explode a disputa civil pelo poder e as milícias passam a trucidar indivíduos da etnia oposta. Quando o território do hotel é violado, é o simbolismo de que nada ficará intocado. Nem a propriedade dos brancos estrangeiros.

O papel das forças de paz da ONU (como visto em Falcão Negro em Perigo) é limitado por uma série de convenções e burocracias que frustram as ações dos militares envolvidos: mesmo diante de fatos gritantes, as forças dependem de inúmeras formalidades e normas para agir. Em poucas palavras, o que parece haver é uma falta de vontade política pelo pouco interesse que Ruanda representa nas esferas internacionais.

Há também uma discussão interessante sobre como a cobertura da mídia plastifica esses acontecimentos, tornando-os digeríveis por mais cruas que sejam as imagens mostradas. E isso também é criticado no filme de Terry George. Nos aspectos visuais, o filme não apresenta nada de inovador, com um estilo quase documental em certos momentos. O destaque fica para a força da história e as brilhantes atuações.

Genocídio, sobrevivência, amor fraterno, política e mídia estão entre os temas abordados por esse filme que é, sem dúvida, uma sacudida na cabeça daqueles que vivem realidades completamente diferentes dos conflitos etnopolíticos da África.


Heber Costa


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Um por todos...

Após o término do domínio europeu na África os países recém-independentes caíram numa profunda instabilidade política, levando — em sua maioria — a guerras étnicas que, por sua vez, causaram a verdadeiros massacres por parte dos grupos dominantes. O melhor exemplo disso foi o genocídio ocorrido em Ruanda, onde milhares de tutsis foram mortos pelos hutus.

Desde a ocupação do país pela Bélgica, o grupo que teve privilégios políticos e econômicos foram os tutsis, que, por serem de etnia diferente dos hutus, praticaram uma severa repressão, muitas vezes violenta. Com a saída dos belgas, foi organizado um governo de transição para administrar o país, porém essa atitude não teve muito sucesso. Uma vez no poder a repressão só mudou de lado e dessa vez foi mais severa ainda. Em meio a todas as atrocidades, aparece um personagem que faria a diferença em toda a história de um dos países mais pobres do mundo — Paul Rusesabagina, que chegou até a ser comparado a Schindler.

A história que ocorre em Ruanda chega a ser parecida a de muitos outros países africanos, um continente cujas nações foram organizadas segundo os interesses dos países europeus, e não divididas conforme a etnias dos povos que ali habitavam. Um dos momentos mais interessantes na guerra civil de Ruanda foi a reação do resto do mundo ao que estava acontecendo ali: não foi dada a devida atenção à situação e as nações unidas só intervieram de forma superficial na matança que estava acontecendo, diferentemente situações de interferências ocorridas em outros países onde o "primeiro mundo" tinha interesses.

De forma geral, o filme Hotel Ruanda traz como uma critica severa à atitude dos países do bloco desenvolvido, que muitas vezes fecham os olhos para os problemas dos países mais pobres, e historicamente funciona como um relado do genocídio ocorrido, demonstrando como foi que se organizaram as milícias e a resistência em meio à miséria extrema daquele país.


Adriano Almeida
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